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Dominar suturas é fundamental para acadêmicos interessados em cirurgia plástica

É preciso saber identificar o fio e a técnica certos para cada tipo de cirurgia, afim de oferecer aos pacientes mais segurança, uma melhor recuperação e os resultados desejados

As suturas estão presentes no dia a dia de muitos profissionais da saúde. Entre médicos, enfermeiros e dentistas, elas são usadas sempre que há a necessidade de fechar uma incisão na pele, mucosa, músculos, vaso sanguíneo ou órgão. A necessidade de suturar uma parte do corpo pode decorrer de um acidente com lesão ou de um procedimento cirúrgico.

Na cirurgia plástica, as técnicas de pontos vão muito além do simples ato de unir as bordas de um tecido. A nível cirúrgico, as suturas auxiliam no processo de cicatrização como um todo. E o resultado vai depender de fatores variados, como o tipo de agulha, o tipo de fio e a técnica escolhida pelo cirurgião; além, é claro, de características particulares de cada paciente e de cada procedimento.

Conhecer os tipos de fios, agulhas e técnicas de sutura é, portanto, fundamental para a formação de um bom cirurgião plástico. Abaixo, elencamos algumas particularidades que mostram porque dominar as suturas é tão importante para quem deseja atuar nesta área da Medicina:

Tipos de fios

A sutura surgiu na Antiguidade, cerca de 2000 a.C. e, naquela época, era feita com barbante ou tendões de animais. Hoje em dia, no entanto, existe uma variedade considerável de fios, criados ao longo dos anos para reduzir os riscos de infecções e tornar o processo de cicatrização mais eficiente.

Basicamente, o fio de sutura pode ser de origem sintética, de material orgânico ou fabricado a partir de fibras vegetais. E as características buscadas em cada fio são: boa resistência, força de tensão, flexibilidade, baixa reação dos tecidos e risco zero de contaminação.

A partir dessas denominações, os principais tipos de fios são:

⦁ Absorvível: permite que o organismo o absorva e, em determinado período, desaparece do local da sutura. Pode ser natural (por exemplo o colágeno ou o categute cirúrgico, feito a partir do intestino de bovinos e ovinos) ou sintético (como o ácido polilático — utilizado no procedimento estético sutura silhouette — ou a sutura Vicryl).

⦁ Nylon: feito de material sintético e inabsorvível pelo corpo, é o fio com menor incidência de infecção e pode ser utilizado em praticamente qualquer tecido — com exceção das cavidades serosas e da região sinusal, pois as pontas dos nós podem causar irritação nas áreas ao redor. A desvantagem desse fio é que o seu manuseio é um pouco difícil e, por isso, não traz muita segurança aos nós.

⦁ Seda 4.0: feito a partir da fibra natural da larva do bicho da seda, é um fio considerado inabsorvível. Isso porque sua absorção ocorre em cerca de dois anos, ou seja, a longo prazo. A sutura com seda apresenta as vantagens de ter baixo custo, fácil manuseio e boa segurança na execução dos nós. Em contrapartida, o índice de reação do organismo é maior que em outros materiais.

Tipos de sutura

Os tipos de sutura também variam. De maneira geral, elas podem ser interrompidas (quando o fio é cortado a cada passada pelo tecido, formando vários nós independentes) ou contínuas (quando o fio é usado inteiro, do começo ao fim da “costura”).

A sutura interrompida simples é comumente usada nos atendimentos de emergência. Já a contínua simples (também chamada de sutura de Kürchner), é indicada para o fechamento de tecidos subcutâneos ou fibrosos (braços e coxas), contado que não haja ponto de tensão — ou seja, movimentos que podem esticar a pele.

A intradérmica, por sua vez, é o tipo de sutura na qual não se vê os pontos de entrada e saída do fio. Ela é feita como um ziguezague por dentro do tecido e as suas possibilidades de uso são: quando não existir tensão nas margens da ferida; não houver chance de contaminação (ou seja, a ferida estiver hermeticamente selada); e quando as bordas do ferimento forem lineares.

Outro tipo é a sutura adesiva, que consiste na aplicação de fitas colantes transparentes especiais, conhecidas como filmes coaptivos. A vantagem dela é que o uso de linha e agulha é dispensado e isso pode minimizar as cicatrizes. De maneira geral, a aplicação começa pelo centro da ferida e segue para as bordas.

Esse tipo de sutura também pode ser utilizado na finalização, complementado outras opções. Ela ajuda no fechamento e cicatrização de incisões, excisões e lacerações, possibilitando que tais procedimentos sejam mais rápidos e seguros.

O fio certo para cada cirurgia

Um bom cirurgião plástico precisa saber definir os fios de sutura certos para cada modalidade cirúrgica. E a escolha do fio certo dependerá não só do órgão onde o procedimento será realizado, mas da técnica aplicada, da textura e da grossura da derme do paciente.

Na mamoplastia — tanto redutora quanto para aumento —, por exemplo, podem ser usados fios absorvíveis ou não absorvíveis, a depender da técnica e do objetivo da operação. Os absorvíveis apresentam melhor resultado para a aparência da cicatriz. Nas lipoaspirações feitas em membros com maior área costuma-se empregar fios não absorvíveis, como os de nylon.

Abdominoplastias, geralmente, pedem fios com maior tensão e menor interação com os tecidos e líquidos corporais para uma melhor cicatrização. Já no caso da rinoplastia, por ser em uma região cartilaginosa, os fios de sutura não absorvíveis apresentam melhor desempenho. E as cirurgias de reconstrução facial, que são bem delicadas, costumam empregar métodos mistos.

Domine a sutura ainda na faculdade

Para quem pretende atuar na área de cirurgia plástica, uma maneira de sair na frente é começar a se dedicar ao estudo da sutura ainda durante a faculdade. O treinamento de sutura e retalhos em cadáveres frescos do Exponential Medical Education (EME Doctors) é uma excelente opção aprofundar esses conhecimentos.

Localizado no Polo de Saúde 4.0 da UniAvan, o centro educacional possui parceria com o Instituto de Treinamento em Cadáveres Frescos de Balneário Camboriú (ITC), oferecendo a maior similaridade possível a um organismo humano vivo para prática hands on.

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