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FIO DE POLIDIOXANONA E SUAS PROPRIEDADES BIOESTIMULADORAS

Na matéria de hoje, abordaremos o papel bioestimulador dos fios de PDO. Observe a imagem a seguir, o que mais chama a sua atenção?

Bom, você deve ter percebido nitidamente que, após a inserção do fio espiculado de PDO, há uma tração sobre os tecidos permitindo reposicioná-los. Mas você seria capaz de imaginar o poder que esse mesmo fio exerce em nível microscópico?

A sigla PDO refere-se ao material que compõe esses fios, a Polidioxanona. Esta, por sua vez, é derivada do poliéster e foi utilizada como fio de sutura por muito tempo em cirurgias cardíacas e oftalmológicas. Mas, ao longo dos anos, com o crescimento dos estudos sobre seu potencial bioestimulador, grande resistência conferida ao seu poder de tração e por ser absorvível, os fios de PDO estão em constante evolução e passam cada dia mais a fazer parte da rotina de procedimentos minimamente invasivos, que visam o rejuvenescimento facial.

A Polidioxanona tem características não tóxicas, não alergênicas e não piogênicas, devido à sua absorção espontânea ser por hidrólise, o polímero forma dois monômeros de ácido 2-hidroxi-etoxi-acético (C4H8O4), que depois são decompostos em H2O e CO2 e absorvidos pela pele. Além disso, o material é capaz de promover uma reação inflamatória moderada seguida por neocolagênese, o que faz com que o Lifting Facial seja mais duradouro.

A compreensão da composição química é imprescindível, pois explica como esse material se comporta nos tecidos vivos e porque escolhemos esse material e não outros.
⦁ A PDO, devido à sua estrutura química, perde pouco peso em comparação com o ácido poliglicólico (PGA) e ácido polilático (PLA), uma vez que contém maior relação de ligação éster.
⦁ A presença de uma ligação éter e um grupo adicional – CH2 – em sua estrutura molecular oferece grande flexibilidade ao PDO em relação aos poli (α-hidroxiácidos) (PGA e PLA).
⦁ A mudança na cadeia principal de um carbonil com certa deslocalização em razão de um grupo metileno, proporciona maior flexibilidade ao polímero.
⦁ Além disso, ele se degrada em uma taxa mais baixa por hidrólise, uma vez que possui uma concentração mais baixa de grupos éster, mantendo sua resistência mecânica por períodos de tempo maior.

A neocolagênese inicia-se no momento de inserção da agulha ou cânula no corpo. A partir desse microtrauma, ocorre ativação e agregação plaquetária na tentativa de oclusão do tecido lesionado. Então, inicia-se uma fase inflamatória em resposta ao trauma e ao corpo estranho (fio de PDO), devido à vasodilatação e à quimiotaxia de células de defesa, os neutrófilos são enviados para verificar a presença de infecção local e “substituídos” por macrófagos, quando não identificam um potencial infeccioso.

A resposta inflamatória cicatricial do corpo depende do balanço entre a quantidade de macrófagos do tipo M1 (pró-inflamatório) e do tipo M2 (anti-inflamatórios). Os fios estimulam receptores específicos de macrófagos M2, ou seja, geram uma resposta inflamatória branda.

Nesse mesmo instante, há a formação do tecido de granulação com a perfusão de novos capilares no local e quimiotaxia de fibroblastos. Assim, há diminuição da celularidade dos macrófagos e início da secreção de colágeno tipo 3, também chamado de colágeno reticular, ao redor dos fios. Esse colágeno é delgado e desordenado e passa a ser gradualmente substituído pelo colágeno do tipo 1 ou colágeno fibroso, que, por sua vez, é um tecido organizado, denso e mais duradouro.

À medida que o fio vai sendo hidrolisado e substituído por dióxido de carbono e água, o estímulo aos fibroblastos vai cessando gradativamente, fazendo com que as fibras de colágeno tipo 3 se tornem cada vez mais escassas e o colágeno tipo 1 predominante por até 18 meses. Após esse período, o corpo reabsorve quase todas as fibras restantes e o fio já não pode ser encontrado nos tecidos, pois foi completamente absorvido.

Artigo escrito por Dr. João Pithon Napoli – CRM 206270, no dia 07/06/2020

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