Posted on / by Lapidare / in Trends

Mercado de estética registra aumento na procura por procedimentos em meio à crise

Nas ruas, os olhos agora refletem também o sorriso, as expressões, boa parte dos pensamentos e emoções. Em casa e no trabalho, o rosto passou a estampar o todo, transformando-se em corpo, vestimenta. E as telas tornaram-se mais do que espaços por onde é possível realizar reuniões, eventos, promover diálogos e encontros, as câmeras de computadores, tablets e celulares são como novos espelhos, onde as pessoas se enxergam cada vez mais e por onde identificam possíveis imperfeições.

Com parte do rosto coberto devido à utilização das máscaras, a região dos olhos está ainda mais em evidência. Por isso, aspectos que, anteriormente, pouco importavam passaram a incomodar consideravelmente, como olheiras, rugas na testa e no canto dos olhos e marcas de expressão. Flacidez, bigode chinês, manchas na pele, acne, poros abertos também são alguns dos vilões que assombram as pessoas a cada abertura da câmera.

Foi o que aconteceu com Marinez Frozza. Durante a pandemia, resolveu se transformar e passou por alguns procedimentos no Lapidare – Instituto da Face, em Balneário Camboriú. Os primeiros foram com laser CO2 para restaurar a pele e preenchimento labial. Aprovou tanto os resultados que, logo depois, fez fios de suspensão, preenchimento para correção no nariz, nas olheiras, bigode chinês e botox.

“Neste processo de ficar mais em casa, aproveitei para fazer algo para melhorar a autoestima. Gostei muito do resultado. Tenho 50 anos, mas quando comparo com fotos em que tinha 38, sinto que estou muito mais linda agora”, comemora.

Ela foi apenas uma das milhares de pessoas que procuraram por procedimentos estéticos desde o início da quarentena. Além das reuniões on-line, da mania das selfies, outros fatores também contribuíram para aumentar a procura por tratamentos que melhorem a aparência.

O estresse causado pelas incertezas da pandemia, a alteração de hábitos, o período maior em casa, reduzindo o contato com a luz solar, podem desencadear problemas, principalmente, relacionados à pele, como dermatite, caspa, testa oleosa. Além disso, um novo acessório, que se tornou indispensável, tem sido bastante prejudicial para alguns rostos.

Se por um lado a máscara auxilia na proteção contra o coronavírus, por outro é a principal responsável pelo aumento dos casos de acne, neste caso também apelidada de maskne. Isso ocorre porque a região onde está a máscara fica abafada, o que aumenta a temperatura do local. “Em alguns casos, provoca acne porque esse abafamento pode entupir dos poros, causando a infecção”, explica o cirurgião-plástico, Dr. Kaung Hee Lee (CRMSC 8770), professor da Pós-Graduação em Cosmiatria e Laser do Instituto da Face – Lapidare.

Os procedimentos estéticos são ainda excelentes aliados da saúde física e mental, pois elevam a autoestima, evitando doenças como, por exemplo, a depressão e a ansiedade. Para aqueles que já tinham tratamentos marcados, nem mesmo a pandemia foi motivo para cancelar a realização de um sonho. E assim, profissionais e instituições de saúde ampliaram as medidas de biossegurança para receber os pacientes e registraram aumento em meio à crise, o que comprova que bem-estar é estar de bem com o que se enxerga.

Não é de hoje, no entanto, que o mercado de estética registra resultados cada vez mais impressionantes. E o Brasil está bonito no ranking. De acordo com a mais recente Pesquisa sobre Procedimentos Cosméticos e Estéticos, realizada em 2018, pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (International Society of Aesthetic Plastic Surgery – ISAPS), Estados Unidos e Brasil são os países com o maior número de procedimentos. Juntos respondem por 28,4% do total dos procedimentos estéticos realizados no mundo, seguidos por México, Alemanha, Índia, Itália, Argentina, Colômbia, Austrália e Tailândia.

No último levantamento, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos, alcançando o primeiro lugar no mundo em procedimentos de cirurgia estética. Já os americanos continuam sendo os que mais realizam procedimentos não cirúrgicos em todo o planeta. Os tratamentos não invasivos, como preenchimentos, registraram alta de 10,4%, resultado significativamente maior se comparado às operações estéticas, que cresceram 0,6%.

Entre os procedimentos cirúrgicos foram os procedimentos de lipoaspiração e abdominoplastia que tiveram maior aumento, ambos com 9% em comparação a 2017. Na relação dos não cirúrgicos, o tratamento com toxina botulínica foi o que mais ampliou, 17,4%, seguido pelos métodos com ácido hialurônico, com 11,6%.

No Brasil

Embora não exista, por enquanto, uma pesquisa oficial sobre a procura por procedimentos estéticos durante a pandemia, clínicas em todo o Brasil relatam aumento na realização dos tratamentos desde março, quando foram decretadas as medidas para o enfrentamento à Covid-19, o que consolida ainda mais a potência que se tornou o mercado de estética no Brasil.

Para o cirurgião-plástico, Dr. Kaung Hee Lee, vários são os fatores que resultaram no aumento dos procedimentos na quarentena, mas um dos mais relevantes é que as pessoas passaram a se observar mais. “Quem não estava acostumado a se enxergar, agora se olha além do espelho, e as telas não perdoam. Isso levou a uma procura acentuada por procedimentos, especialmente, para melhorar o aspecto estético da face”.

Segundo o último Censo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), divulgado em dezembro do ano passado, mas elaborado com dados de 2018, o número de cirurgias estéticas cresceu 25% comparado a 2014. Com relação aos procedimentos não cirúrgicos, de 2009 a 2018, o crescimento é ainda mais acentuado, cerca de 83%, totalizando quase 1.400.000 operações.

O aprimoramento das técnicas, a maior diversidade de métodos, especialmente menos invasivos, onde não é necessária a cirurgia, e os valores mais acessíveis, sem os custos hospitalares, por exemplo, também favorecem o número cada vez mais significativo de pessoas que realizam alterações estéticas.

Ainda conforme o levantamento, 70% das cirurgias plásticas são femininas. Mas os homens estão começando a mudar este cenário. Em cinco anos, quadruplicou o número de intervenções estéticas masculinas, saltando de 72 mil para 276 mil ao ano. As operações mais recorrentes são rinoplastia (nariz), otoplastia (correção das orelhas de abano), redução das mamas (ginecomastia), implante capilar, lipoaspiração e cirurgia de pálpebra (blefaroplastia).

As técnicas são as mais diferenciadas, os custos cada vez mais acessíveis e a aparência nunca esteve tão em alta. Afinal, em tempos de pandemia mundial, de isolamento social, de tecnologia, buscar o bem-estar é essencial. As opções para isso são inúmeras, mas certamente uma das mais eficientes sempre será amar o que está refletido no espelho e nas mais variadas telas.

Deixe uma resposta