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SENSO ESTÉTICO DOS PROFISSIONAIS É DESAFIO E DIFERENCIAL PARA O SUCESSO DOS PROCEDIMENTOS

Nos últimos anos a procura por procedimentos estéticos aumentou em todo o mundo. Nem mesmo a pandemia comprometeu esse incremento. Ao contrário, a evidência maior para o rosto devido às videoconferências e ao uso de máscara levaram milhares de pessoas a buscar por tratamentos para embelezamento, principalmente da face. E esse interesse inicia cada vez mais cedo.

O Brasil lidera o ranking de cirurgia plástica entre jovens. Segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) de 2019, jovens entre 13 e 18 anos estão procurando cada vez mais procedimentos cirúrgicos. Nos últimos 10 anos houve um aumento de 141%, de acordo com a SBCP.

Mas não é apenas a juventude brasileira que está preocupada em realçar a beleza. De acordo com a mais recente Pesquisa sobre Procedimentos Cosméticos e Estéticos, realizada em 2018, pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (International Society of Aesthetic Plastic Surgery – ISAPS), Estados Unidos e Brasil são os países com o maior número de procedimentos estéticos. Juntos respondem por 28,4% do total dos tratamentos realizados no mundo, seguidos por México, Alemanha, Índia, Itália, Argentina, Colômbia, Austrália e Tailândia.

O que também evoluiu consideravelmente foram os métodos e técnicas para promover o embelezamento e o rejuvenescimento. No entanto, tanto a hora adequada como o tratamento recomendado para cada fase, para cada paciente, necessitam não apenas de recursos tecnológicos ou de técnicas, mas especialmente do senso estético do profissional, o que pode ser o mais difícil para ser compartilhado.

“Se eu ensinar a forma que se injeta na fossa piriforme, por exemplo, a pessoa aprende, seguindo toda a segurança que o procedimento exige. Mas quanto indicar? Qual produto escolher? Qual a densidade e a qualidade do produto e, principalmente, se há realmente a necessidade, a indicação? Esses são ensinamentos mais complexos de se passar de uma pessoa para outra”, relata a cirurgiã plástica Dra. Ingrid Luckmann.

Para o Dr. André Braz, um dos dermatologistas mais renomados do país, o grande temor atualmente são os modismos. “A harmonização facial virou uma caricatura, uma cara só, porque fica todo mundo quadrado, com pouco nariz, sobrancelha muito alta. O que defendo é descobrir o formato e realçar a beleza de forma individual e única. O médico pode alongar, mexer no formato, desde que tenha a ver com o desenho, a altura, o corpo da paciente. Tudo tem que ser bem avaliado”, enfatiza o speaker.

A quantidade do volume, a densidade, a profundidade da aplicação, o produto, a técnica mais adequada são fatores que devem ser analisados meticulosamente para que o resultado seja exitoso. “O que vejo é que falta muito senso estético e é por isso que as pessoas estão ficando infladas. Por exemplo, as pessoas estão tratando flacidez excessiva, que teriam indicações cirúrgicas, com procedimentos. Sou muito a favor de ir combinando, mas tem uma hora, uma certa delimitação que dali para frente só a cirurgia terá um bom custo-benefício para o paciente. Quanto mais adequados forem os momentos mais naturais serão os resultados.”, ressalta a cirurgiã plástica Dra. Alessandra Haddad.

Com relação à idade, o Dr. Marcelo Araújo, conceituado cirurgião plástico, recebe no consultório em São Paulo pacientes muito jovens com interesse em fazer procedimento no rosto. “Varia muito de acordo com a genética da pele, mas em regra geral indico o Minilifting, geralmente, dos 45/50 anos para frente, período em que começam os sinais de flacidez interna. Se eu operar uma paciente de 40 anos e passar do ponto, ela também vai ficar insatisfeita. Pode representar um exagero como qualquer outro procedimento. Você não precisa esperar envelhecer totalmente, mas quando começar a flacidez, principalmente do terço inferior, então começamos a pensar em opção cirúrgica”, esclarece o cirurgião e speaker Lapidare.

Outro cuidado que os médicos alertam é para a diferença que há na estética feminina e masculina. “Homens e mulheres têm proporções da beleza completamente diferentes. Não dá para aplicar o mesmo procedimento e ter resultados interessantes. Isso acaba gerando as bizarrices com as quais nos deparamos atualmente”, reforça a Dra. Ingrid Luckmann.

A noção de estética é inerente a cada profissional. No entanto, conhecimentos de Cosmiatria e atualização constante de Anatomia podem ser fundamentais para garantir que a indicação ao paciente seja adequada e alie beleza e saúde. Afinal, além de saber o limite de cada técnica, as especificações de cada produto e de cada recurso disponível hoje no mercado da estética, o profissional deve também estar atento a todas as possíveis complicações que o tratamento pode vir a causar.

O senso de estética é mais que a prática, a experiência, a realização de inúmeros procedimentos dia a dia. Une a expertise, o conhecimento e a sensibilidade de cada médico que ao examinar o paciente deve saber o que vai tornar aquela beleza ainda mais bela, sem transformar o normal em superficial, o simples em exagerado. Essa é a verdadeira arte!

“Existe um ditado muito sábio em medicina que diz: coragem demais é sinônimo de ignorância. Às vezes as pessoas saem fazendo procedimentos e não sabem o risco real que estão colocando o paciente. Temos que ter muita responsabilidade, quanto mais se estuda, mais cautelosos nós somos. A experiência mostra compreender a real expectativa do paciente porque, muitas vezes, ele projeta algo que não é real, então tem que ter bom senso para saber indicar corretamente”, alerta o Dr. André Braz.

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