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Covid-19: Softs skills passam a ser decisivas no atendimento aos pacientes

Crise exige nova postura de médicos e demais profissionais de saúde. Habilidades como empatia e boa comunicação na anamnese são diferenciais para mitigar erros de diagnóstico, uma vez que sintomas do novo coronavírus são similares ao de uma gripe

Não são só as pessoas comuns que precisam mudar hábitos de rotina para controlar a propagação acelerada da doença causada pelo novo coronavírus (Covid-19). Com a crise mundial de saúde, os médicos e profissionais da área que ainda não adotaram uma postura mais humanizada e menos mecânica no momento dos atendimentos agora precisam se adaptar rapidamente. Além das competências técnicas, ou hard skills, o cenário exige posicionamentos mais assertivos na relação com os pacientes e deixar o lado humano se sobressair no aspecto operacional.

Flávia Del Valle, CEO do centro de treinamento médico Instituto Lapidare, explica que essas competências não são novidade na formação médica contemporânea. “A formação do médico atual e do médico do futuro passa pelo desenvolvimento das soft skills, que são competências essencialmente humanas. São habilidades que ganham protagonismo com o desenvolvimento de tecnologias de automação e informação. O que ocorre agora é que esse diferencial, que apenas os modelos de ensino mais inovadores como o Instituto Lapidare estavam levando para o mercado, agora é uma exigência pela qual não se pode mais esperar”, avalia a profissional.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 141 mortes e 4.361 casos do Covid-19 até 30 de março. Caso a crise se alastre, na análise dos especialistas em educação médica, os profissionais que estão na linha de frente terão que priorizar cada vez mais os softs skills, suas habilidades comportamentais. Um dos fatores é o fato de que o diagnóstico da doença exige a atenção redobrada na hora da anamnese, uma vez que os sintomas são parecidos com outras menos graves, como gripe e resfriado. O desenvolvimento dessas competências complementares, que já é uma tendência mundial, deixa de ser apenas uma forma de os profissionais sobreviverem à Quarta Revolução Industrial, mas passa ser uma estratégia importante para salvar vidas.

No contexto atual da crise, softs skills como empatia e boa comunicação passam a ser fundamentais na triagem dos casos. Os profissionais deverão praticar a escuta ativa e valorizar o contato humanizado com os pacientes, mesmo que via telemedicina, assim como manter uma relação honesta e transparente. Cabe aos médicos identificar as pessoas, verificar qual a queixa principal que levou o indivíduo até a unidade de saúde ou à teleconsulta, ver quando iniciou esse incômodo e levantar informações sobre os históricos de patologias, familiar e social – tabagismo, viagens recentes, pessoas que residem na mesma casa, entre outros tópicos.

A crise decorrente da proliferação do novo coronavírus não atinge apenas os profissionais que estão na linha de frente. Os softs skills também são fundamentais para a gestão administrativa das unidades de saúde. Os gestores devem priorizar a informação e a boa comunicação com pacientes e equipes de servidores. Os processos de atendimento dentro dos hospitais, num cenário que requer higienizações constantes, devem ser detalhadamente comunicados e reforçados com frequência, a fim de evitar erros que coloquem em risco as vidas dos pacientes e dos profissionais. Feedbacks também estimulam os funcionários quando sinalizam pertencimento no processo de combate à doença no país.

“É importante destacar que o mercado nos mostra que essas não são habilidades necessárias apenas no combate à proliferação da Covid-19. Com muitas pessoas, principalmente idosos e doentes crônicos em isolamento doméstico, o atendimento remoto é uma realidade cada vez mais comum. O médico precisa conhecer as ferramentas tecnológicas para fazer o melhor uso delas, mas a escuta ativa, a sensibilidade e a visão integral do paciente farão a diferença no cuidado de outras enfermidades”, completa a CEO do Instituto Lapidare.

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